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COVID-19: MEDO DE SAIR PARA REALIZAR EXAMES E TRATAMENTOS PODE COMPROMETER A SAÚDE



Algumas pessoas deixaram de fazer consultas e tratamentos importantes durante a quarentena. Mas é preciso cautela para que o receio de sair de casa não faça as pessoas ignorarem emergências ou impeça a cura de doenças graves
Apesar dos avanços da telemedicina e seus resultados positivos durante a pandemia, há circunstâncias em que a ida ao hospital é essencial (quando há a necessidade de se fazer exames urgentes e que necessitam de equipamentos especializados, por exemplo).
E, nestes tempos de pandemia, muitas pessoas ficaram com medo de ir aos hospitais ou postos de saúde, o que acarretou [um crescimento de óbitos por doenças como o câncer, por exemplo. Para se ter uma ideia, no mês de abril, o A.C. Camargo teve uma queda de 65% nos pacientes; 87% em exames e 30% em cirurgias comparado com 2019[1]. O mesmo movimento é observado em outros hospitais e clínicas. O Dr. Arthur Malzyner, oncologista da Clínica de Oncologia Médica Clinonco e do Hospital Israelita Albert Einstein, sentiu o problema. “Reforcei aos pacientes a importância de realizar os exames de triagem, fundamentais no diagnóstico precoce de câncer colorretal, de mama e de outros tumores. Pacientes que poderiam ter encontrado lesões precoces e não o fizeram.”
O oncologista explica que muitas pessoas que iriam começar ou fechar o diagnóstico não apareceram. “Dá para imaginar quantas pessoas vão sofrer as consequências por esse atraso? Eu me lembro que os pacientes ligavam dizendo que os laboratórios não estavam fazendo exames. Outros   simplesmente não iam. Alguns cânceres evoluem muito rapidamente sem diagnóstico precoce, como determinados linfomas e leucemias. Foi difícil passar por essa experiência. Mas já estamos saindo disso, felizmente.”
 Malzyner acredita que, apesar de o serviço privado se aparelhar mais rapidamente, o SUS também está voltando a ter a procura anterior aos poucos. E os pacientes estão retornando. Mas alerta: “Agora deve haver uma fila grande para atendimento e isso desencoraja quem está sem sintomas e faria os exames em circunstâncias normais. Isso acaba produzindo uma reação em cascata e sendo prejudicial.”
Doenças Cardiovasculares: Doentes Crônicos Não Devem Parar o Tratamento
O medo da COVID-19 também fez muitos pacientes com problemas cardíacos interromperem o tratamento. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia[2] o número de mortes por doenças cardiovasculares aumentou 70% entre março e maio, somente no estado de São Paulo, em relação ao mesmo período do ano passado. “Pessoas que sentiram dor no peito, houve o infarto e não quiseram ir ao hospital com medo de pegar COVID”, conta Malzyner, que lembra que os casos de doenças cardiorrespiratórias são ainda mais numerosos do que os de câncer. “Doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo. Muitas dessas manifestações são pequenos desconfortos, cujas manifestações podem não ser óbvias, mas que exigiriam exames: pequenos AVCs (acidentes vasculares cerebrais), pequenos distúrbios neurológicos, que vão caminhar para um AVC cerebral, infarto ou embolia pulmonar.”
Outro problema apontado pelo médico foram os hábitos em casa durante a quarentena. “Dois preceitos básicos da melhora para as doenças cardiovasculares são combater o sedentarismo e a obesidade com exercício físico e dieta controlada. E nem sempre é fácil, como para uma pessoa que vive em um cômodo de 50 metros quadrados, exercitar-se em casa rotineiramente.”
Mas quais seriam os cuidados a serem tomados na hora de ir a um estabelecimento de saúde? O paciente com câncer, por exemplo, o que deve fazer?
Para Malzyner sinais cardinais (do processo inflamatório, como dor, edema, perda da função, sangramento por algum orifício) devem ser investigados. Ele aponta a telemedicina como uma alternativa de contato com o médico. “Tanto o SUS como outros serviços estão autorizados a atender por telefone e online. Qualquer sintoma novo deve ser repartido com o profissional” E para os exames?
“Todo atendimento rotineiro, exames de prevenção e de triagem para câncer devem ser reassumidos neste momento. Estamos utilizando todos os protocolos de adequação na proteção a COVID-19 e preparados para receber os pacientes.”
Malzyner aconselha a se manter todos os padrões de higiene e distanciamento conhecidos (lavagem de mãos, máscaras, distanciamento de um metro e meio). E evitar aglomerações. “Neste momento algumas pessoas estão retornando ao trabalho. Eu aconselharia a evitar o transporte público e, se não houver alternativa, manter a maior distância possível, sempre tomando cuidado com a higiene. Se a pessoa trabalha sempre no mesmo lugar, seria interessante ter uma roupa de trabalho e uma roupa de viagem, evitar o calçado dentro de casa e tomar as medidas de limpeza necessárias quando chegar.”
“O atraso em um diagnóstico tende a ser tão ou mais prejudicial do que uma exposição controlada. Claro que a exposição não é boa. Porém em alguns casos o retardamento no atendimento pode ser pior, um risco muito maior. Não podemos voltar à pré-história, em que as pessoas ficavam sem medicina.”



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